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Medicina para Sobreviventes - 1# Conservação da Saúde

Medicina para Sobreviventes - 1# Conservação da Saúde

A manutenção da saúde é de extrema importância para a sobrevivência, ela evita diversos problemas. Texto extraído de um manual militar.

EFEITOS FlSIOLÓGICOS DO CALOR

Do conjunto de regras que se pode utilizar para a conservação da saúde, algumas não poderão ser aplicadas na selva ou serão seguidas sofrendo as injunções do momento, enquanto outras deverão ser observadas à risca sob pena da sanção imediata. Assim, visando a sobreviver nas melhores condições possíveis, cada indivíduo de per si ou grupos de indivíduos deverão observar as seguintes regras:

1- Poupar Forças:

A fadiga em excesso deverá ser evitada. Quando se estiver realizando algum trabalho que exija esforço físico ou um deslocamento através da selva, deverá ser estabelecido um tempo para descanso; 10 ou 15 minutos para cada hora de trabalho físico poderá, em princípio, ser uma base de partida. Nas horas mais quentes do dia, o repouso deverá realizar-se nos locais mais cômodos que se apresentarem no momento. Se possível, o homem aliviar-se-á de toda carga que por ventura transportar e deverá deitar-se. Durante os repousos maiores, mormente à noite, procurará dormir. Mesmo que não consiga, a princípio, conciliar o sono, o simples ato de deitar e relaxar os músculos e a mente causará efeitos recuperadores. Não permitir que a aflição decorrente da situação por que se passa concorra para o desequilíbrio emocional; deve-se pensar com calma e pesar todas as possibilidades favoráveis. O calor na selva equatorial é constante e implica, para o ser humano, em sudação excessiva. Em conseqüência, se não houver a observância de repouso freqüente, a par de uma complementação abundante de água e sal, alguns efeitos poderão advir em prejuízo do indivíduo. Esses efeitos são:

Exaustão - Resultará da excessiva perda de água e de sal pelo organismo, conseqüência da forte transpiração. Seus sintomas são palidez, pele úmida, pegajosa e fria, náuseas, tonteiras e desmaios. O socorro a ser prestado consistirá em fazer com que o indivíduo se deite em área sombreada, mantendo-lhe os pés em plano mais elevado que o resto do corpo e as roupas afrouxadas, dando-lhe de beber água fria e salgada. Para isso, dissolver 2 tabletes de sal ou um quarto de colher de chá, ou equivalente, de sal puro, em um cantil de água, na quantidade de 3 a 5 cantis no espaço de 12 horas. A solução salina deverá ser ministrada aos goles, a intervalos regulares (2 a 3 minutos entre cada gole ou ingestão), pois, se tomada de vez, poderá ocasionar vômitos, estabelecendo-se um círculo vicioso: vômitos – desidratação.

Câimbras - Resultarão de um esforço físico continuado que implique em demasiada sudação, sem que, preventivamente, se tenha tomado uma quantidade suplementar de sal. Elas poderão atingir qualquer parte muscular do corpo, sendo mais comuns nas pernas, nos braços e na parede abdominal. Freqüentemente haverá vômitos e enfraquecimento. O socorro será o mesmo indicado para a exaustão, à base de ingestão de água salgada em grande quantidade.

Insolação e Intermação - Os mecanismos de dissipação do calor não estão funcionando. Aumenta a temperatura corporal e isto acarreta risco de vida para o indivíduo, se não for tratado com urgência. São situações graves, com alta taxa de mortalidade, além da elevação da temperatura do corpo, normalmente leva à inconsciência. Os sintomas são pele quente e seca, com ausência do suor, dor de cabeça, náuseas, rosto congestionado e possíveis delírios. O mais simples e importante objetivo no socorro é o abaixamento da temperatura do corpo, o mais rapidamente possível; o melhor modo de consegui-lo é mergulhá-lo em um banho de água fria, gelada inclusive, se possível; caso contrário, o paciente deverá ser mantido à sombra, com a roupa removida, derramando-se então bastante água sobre ele. Este resfriamento deverá ser continuado, mesmo durante a evacuação. Se consciente, o indivíduo deverá beber água fria, salgada (como nos casos de exaustão ou câimbras); se inconsciente, idêntico procedimento deverá ser observado, tão logo volte a si.

Desses efeitos fisiológicos do calor, os mais comuns são a exaustão e as câimbras; a insolação e a intermação, apesar de mais perigosos, na selva equatorial quase não se fazem sentir porquanto o corpo, normal e constantemente, estará submetido a um processo de refrigeração, quer pelo próprio suor, quer pela água das chuvas, quer ainda pela água dos igarapés, igapós ou chavascais; será normal, pois, e mesmo agradável, o indivíduo permanecer, durante o dia, com o corpo molhado. A par disso, a elevada umidade do ar concorre para a proteção contra a insolação.

Para proteção contra aqueles efeitos, algumas regras deverão ser observadas. Assim:

A- Beber bastante água. Mesmo que não se sinta sede, uma vez constatado o excesso de suor, deve-se beber água constantemente, para isto o cantil deve ser regularmente recompletado.

B- Aclimatar-se. Essa regra não terá aplicação para o indivíduo que, de uma hora para outra, por acidente, se encontrar numa selva equatorial; haveria, no caso, uma aclimatação forçada, independente da vontade. O processo de aclimatação possui quatro características principais:
1) começa no 1º dia e poderá estar bem desenvolvido no 4º;
2) haverá um aumento na quantidade de suor, aumentando assim a perda de sal;
3) poderá ser acelerado com a realização de exercícios físicos;
4) as condições de aclimatação poderão ser retidas por cerca de uma ou duas semanas após a saída da área afetada pelo calor.

C- Usar sal, em quantidade extra, nos alimentos e na água.

D- Não se alimentar em excesso.

E- Vestir-se adequadamente. É uma regra difícil de ser seguida; se o tecido for leve, estará sujeito a ser rasgado pela vegetação e, se grosso, aumentará a sudação, embaraçará os movimentos e criará sensação de desconforto; se a vestimenta proteger em demasia, dos pés à cabeça, dificultará a ventilação e, caso contrário, facilitará o ataque dos animais miúdos (formigas, mosquitos e outros) e os arranhões pela vegetação; enfim, será, em última instância, um problema a mais de adaptação.

F- Trabalhar à sombra. Regra fácil de seguir, pois a selva é sombreada.

G- Compreender o calor. É uma regra para a mente, que trará benefícios psicológicos com reflexos imediatos no corpo humano. O conhecimento dos efeitos que o calor poderá produzir e dos processos para evitá-los ou, no mínimo, atenuá-los, poderá salvar vidas e é de grande importância, em particular, para o combatente de selva.

H- O frio na selva equatorial, por estranho que pareça, também se faz sentir. Não requer, entretanto, medidas especiais adotadas em regiões de clima frio. Na Selva AMAZÔNICA há o fenômeno da friagem que atinge algumas áreas e, mesmo em outras, onde ele não ocorre, são comuns as quedas de temperatura à noite. Uma manta de lã proporcionará suficiente proteção. Efeitos tais como “pé de trincheira” e congelamento de partes do corpo não terão oportunidade de ocorrer, a não ser nas regiões andinas.

2- Precaver-se Contra Distúrbios Mentais:

A- A sensação de medo é normal em homens que se encontram em situação de perigo. E perigo existe na selva. Entretanto, é bom lembrar que outros já sentiram medo e, a despeito disso, conseguiram sair-se bem das dificuldades e perigos.

B- A fadiga e o esgotamento resultantes de grandes privações poderão, muitas vezes, conduzir a distúrbios mentais, manifestados sob as formas de temores graves, cuidados excessivos, depressão ou superexcitamento. O melhor modo de evitá-los será procurando dormir e descansar o máximo possível; todavia, alguma atividade deverá ser mantida; além disso, o bom humor será um tônico real, pois é contagiante.

C- Maiores atenções deverão ser dedicadas àqueles que se encontrarem física ou fisiologicamente doentes, a fim de evitar o trauma emocional. Um mau discernimento da situação, causado por distúrbio mental, poderá ser tão fatal quanto um tiro do inimigo ou uma picada de serpente peçonhenta. Para quem quer sobreviver, será fundamental evitar o pânico, e este, na selva, representará o pior inimigo a vencer.

 

OUTRAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO

1- Cuidar dos Pés:

A- Na selva, em princípio, só será possível andar a pé. Longas caminhadas, por terreno permanentemente ondulado, será a regra geral. Daí a importância dos cuidados com os pés, os quais deverão ser mantidos limpos, lavando-os e secando-os com a freqüência possível. Entretanto, andar na selva com os pés secos será praticamente impossível, pois o suor, a chuva e as águas dos igarapés, igapós e chavascais não o permitirão; por isso, tais cuidados deverão ser observados, particularmente durante as paradas para descanso prolongado.

B- As meias não deverão estar rasgadas nem cerzidas e o calçado deverá estar sendo constantemente examinado; o uso de meias finas de algodão é recomendável, pois elas absorvem a umidade, permitem a evaporação, apresentam pouca deformação após secarem e, assim, protegem melhor os pés do que as meias grossas de algodão, de lã ou de nylon.

C- Calos ou calosidades não deverão ser cortados, para evitar infecção.

D- Mantendo-se as unhas limpas e curtas, poder-se-á evitar a unha encravada e a proliferação de microrganismos entre elas e a pele.

E- Caso haja atrito entre o calçado e a pele deverá ser aplicado esparadrapo na parte afetada. Se houver formação de bolhas, estas deverão ser perfuradas na base, com o máximo de desinfecção possível e protegendose depois o local com esparadrapo ou gaze.

2- Proteger os Olhos e os Ouvidos:

A- Os olhos estarão permanentemente sujeitos à ação de pequenos insetos e de partículas diversas. A proteção ideal seria com o uso de óculos de um tipo especial; entretanto, a capacidade de ver seria um pouco afetada, o que não é aconselhável na selva, onde é fundamental saber enxergar; constituiria, por outro lado, mais um incômodo e uma preocupação.

B- Os ouvidos estarão, do mesmo modo, sujeitos àquela mesma ação e uma boa proteção para eles seria a colocação de algodão; porém, isto reduziria a capacidade auditiva e, na selva, também é fundamental saber ouvir.

C- Em conseqüência, para evitar que esses órgãos sejam afetados, o melhor será manter-se atento, preventivamente, no interior da floresta; será mais uma preocupação, mas compensará.

3- Precaver-se contra Infecções Cutâneas:

A epiderme constitui a primeira linha de defesa contra a infecção. Por isso, qualquer arranhão, corte, picada de inseto ou queimadura, por menor e mais inofensivo que pareça, merecerá cuidado; qualquer antisséptico deverá ser aplicado, preventivamente. As mãos não deverão tocar a parte afetada; será suficiente a aplicação do curativo individual, se houver; se não, o ferimento deverá ser mantido protegido da melhor forma possível ou, em último caso, exposto mesmo ao ar livre.

4- Conservar Limpos o Corpo, a Roupa e o Local de Estacionamento

A- A limpeza do corpo é a principal defesa contra os germes infecciosos. As unhas devem ser mantidas cortadas para evitar o desenvolvimento de parasitas entre elas e a pele.

B- Um banho diário - hábito fácil de adquirir-se na selva - com sabão, ou mesmo sem ele, dedicando-se especial atenção à higiene das partes dobradas e pudendas, será ideal. Se esse banho não for possível, a limpeza na maior parte do corpo deverá ser mantida, particularmente das mãos, rosto, axilas, virilhas e pés.

C- Após as refeições, dentes e boca deverão ser limpos.

D- As peças do vestuário, mantidas limpas, ajudarão a proteger contra infecções cutâneas e parasitas, e, em caso de dificuldade de lavá-las, deverão elas, sempre que possível, ser sacudidas e expostas ao ar livre. O uso de cuecas justas deve ser evitado, pois nas proximidades das virilhas e partes pudentas poderá provocar assaduras pela umidade acumulada que favorecem a ação de microrganismos. Esses procedimentos concorrerão para uma sensação de

E- No caso de um grupo, será interessante que os homens se inspecionem mutuamente, corpo e roupa.

F- Um local de estacionamento na selva deverá ser naturalmente um lugar limpo, no qual não haja acúmulo das águas das chuvas ou da presença de animais e insetos. A manutenção desse estado será simples, bastando uma fossa para lixo e outra para dejetos, suficientemente afastadas, sempre cobertas com terra após o uso e distantes da fonte de água, quando houver. Essa fonte será, normalmente, um igarapé e para sua boa utilização deverá ser dividido em seções: a montante, água para beber e cozinhar; a seguir, água para banho, água para lavagem de roupa e, por fim, água para qualquer outro uso, a jusante.

5- Evitar Doenças Intestinais:

Doenças intestinais são aquelas causadas por germes existentes nas fezes e urina ou por alimentos contaminados. Normalmente os seus agentes causais são eliminados do corpo pelas fezes e urina. Geralmente eles são transmitidos por alimentos e água contaminada, que, por sua vez, são levados pelas mãos ou utensílios de rancho. As principais doenças intestinais são as disenterias (amebiana e bacilar), a diarréia, a cólera, as intoxicações e infecções alimentares, as infestações helmínticas (vermes) e as febres (tífica, paratífica e ondulante). Para evitar essas doenças deverão ser observadas as seguintes medidas:

A- Proteção e Purificação da Água - Toda fonte de água deverá ser cuidadosamente protegida da contaminação pelos detritos humanos ou animais, a qual poderá ocorrer pela drenagem de superfície ou pela de subsolo. As fossas ligadas às latrinas e cozinhas deverão ser localizadas de modo tal que a infiltração e drenagem se processem afastadas e sem perigo para as fontes de água. Normalmente, o igarapé será a fonte mais comum e, nesse caso, deverá ser dividido em seções, conforme exposto linhas atrás. A purificação da água na selva raramente será feita como em outras áreas, a não ser que o grupo esteja aparelhado com o material necessário e vá permanecer por espaço de tempo relativamente longo em um estacionamento. Sempre que possível, proceder-se-á a purificação de água do cantil que for obtida no interior da selva, mesmo aquela colhida dos igarapés, pois estes, também são fontes de água para os animais que podem contaminá-los com fezes e urina. Além disso, vegetais em decomposição nas margens e no leito de cursos de água e, ainda, o uso humano a montante destes podem, também, contaminá-los. Ainda assim, caso se deseje purificar essa água ou mesmo a proveniente de outras fontes, deverão ser usados os comprimidos para esse fim destinados, os de Hipoclorito (Halazone e outros a base de cloro), na dose de um ou dois por cantil, esperando-se cerca de 30 minutos para, então, poder ser bebida. Outro processo de purificação será o de ferver a água e depois fazer uma aeração; um minuto de ebulição e a passagem de um recipiente a outro, ao ar livre, serão o suficiente. Não só a água para beber, mas também a utilizada em bochechos e limpeza da boca (escovar os dentes) deverá ser purificada pela fervura ou pelo comprimido de Hipoclorito. Deve ser evitada a utilização de água obtida em fontes paradas, pois este é um ambiente propício ao desenvolvimento de amebas de vida livre que não são combatidas pelo purificadores de Hipoclorito distribuídos à tropa. 

B- Inspeção e Proteção dos Alimentos - Todo alimento deverá sofrer inspeção, no que respeita à sua aptidão para consumo; esta inspeção deverá ser feita também nos gêneros que, após terem permanecido guardados, venham a ser novamente utilizados. Quando guardados, deverão ser protegidos convenientemente; os sacos plásticos prestar-se-ão bem a esse fim. Será necessário, sempre, muita atenção com aqueles passíveis de perecimento. Vários processos existem para se guardar alimentos: imersos em água corrente, enterrados, pendurados em galhos de árvore, dependendo do tipo do alimento, do tempo de permanência no local, das condições de segurança contra animais e da quantidade ou volume dos alimentos. Como será normal na selva cada homem conduzir sua própria alimentação, essas medidas de inspeção e proteção terão mais aplicação para o caso de grupos e quando houver permanência mais duradoura nos locais de estacionamento.

C- Higiene do Rancho - Não será normal, em se tratando de sobrevivência na selva, a existência de instalações de rancho de campanha, na acepção genérica do termo; elas existirão quando do desenvolvimento de operações militares na selva e, neste caso, aplicar-se-ão todas as medidas de higiene preconizadas pelos manuais. Isto quer dizer que, em sobrevivência, não haverá rancho organizado, o que, entretanto, não invalidará a aplicação dessas medidas, sempre que possível, quando se tratar de alimentação. Para a missão de preparar e distribuir a alimentação, não deverão ser designados indivíduos portadores de moléstias transmissíveis, com inflamações cutâneas, feridas ou quaisquer outras lesões; esses indivíduos, se existirem no grupo, deverão ser alvo de atenção e cuidados especiais. Os utensílios de rancho, tais como marmitas, talheres e copos, tão logo tenham sido usados, deverão ser limpos e lavados antes de guardados. Os restos de alimentos deverão ter o destino geral dos detritos.

D- Destino dos Detritos - Dar destino adequado aos detritos, quaisquer que sejam suas origens, é medida fundamental, quando se tratar de um grupo em estacionamento mais ou menos estável. Na selva, entretanto, não será normal a execução dessa medida dentro do preceituado pelas regras de higiene, pelo simples fato de que faltará o material necessário, ainda mais em se tratando de sobrevivência. Será suficiente que os detritos sejam enterrados, evitando-se, assim, que insetos e outros pequenos animais tornem-se veículos de doenças intestinais. Os locais selecionados para enterrá-los deverão ficar afastados daqueles em que a presença do homem será normal.

E- Controle de Moscas - Considerando que a mosca, para sua reprodução, escolhe os locais de detritos, necessita de calor e umidade e sente atração pelo cheiro, é fácil concluir que o controle será simples, dando-se o destino conveniente aos detritos e protegendo-se os alimentos que desprendam cheiro, já que não será possível deixar de existir calor e umidade na selva equatorial.

F- Controle do Pessoal Doente - Atribuir especial cuidado a um companheiro que venha a sofrer de doenças intestinais, principalmente os acometidos de diarréia. A rigorosa higiene será necessária para evitar que outros possam ser contaminados, para tanto, os procedimentos a seguir serão
1) Defecar em lugar apropriado e o mais longe possível do local de estacionamento da fonte de água, cobrindo os dejetos com terra para evitar a contaminação por insetos (“buraco de gato”).
2) Manter asseio corporal rigoroso.
3) Ingerir bastante água, para evitar a desidratação e, caso seja disponível, utilizar remédio específico (soro para reidratação oral, tais como REIDRAT e outros) ou fazer a mistura de sal, açúcar e água na proporção de uma colher de açúcar e uma “pitada” de sal para cada cantil.

6- Evitar Outras Doenças Transmissíveis:

Além das doenças intestinais, merecem atenção especial aquelas transmitidas por insetos e parasitos, as contagiosas e outras.

A- Doenças transmitidas por insetos e parasitos - São aquelas em que um inseto ou um parasito, sugador do sangue de animais ou de pessoas infectadas, é o agente transmissor. Destacam-se entre elas: a malária, transmitida pelo mosquito “Anófele” e de várias espécies; a febre amarela urbana, pelo “Aedes aegypty”; a febre amarela silvestre, pelo “Haemagogus”; a dengue, pelos “Aedes aegypty” e “Aedes albopictus”; a filariose, pelo “Culex”; a tularemia, por moscas, percevejos, piolhos, pulgas e, também, pelo contato com material contaminado; a febre recorrente, por piolhos e percevejos; o tifo, pelos piolhos do corpo e pulgas; a leishmaniose, pelo “Flebotomus”.

B- Generalidades sobre as doenças transmitidas por mosquitos:
1) As mais comuns na selva equatorial são a malária, a filariose a leishmaniose, protozooses e parasitoses. Elas não existirão se forem exterminados os mosquitos transmissores, mas este combate só poderá ser feito, cuidadosa e freqüentemente, em locais em que haja recursos para isso, o que não acontecerá na selva, onde a existência da água em abundância propiciará a sua proliferação. O perigo da transmissão dessas doenças pelos insetos, ronda as proximidades dos núcleos populacionais e neles reside, pois os mosquitos não têm capacidade de vôo além dos 1.500 metros, ou pouco mais, se ajudados pelo vento. Tais apreciações, contudo, não deverão ser consideradas com segurança total para quem está na selva, porquanto o ser humano poderá ser apenas o portador da doença, abrigando-a e podendo transmiti-la, sem entretanto, apresentar os sintomas. Por outro lado, os animais silvestres poderão ser os hospedeiros intermediários, no lugar do homem. Em conseqüência, abaixo são relacionadas algumas medidas que deverão ser adotadas contra as picadas de insetos.
2) O uso de mosquiteiros para dormir ou proteger as partes expostas do corpo será útil, bem como o de luvas e de repelentes.
3) Estacionar em locais altos, afastados principalmente de águas paradas.
4) Dormir vestido, colocando as extremidades das calças para dentro dos canos das meias ou bocas do calçado, será mais um meio de evitar picadas.
5) Se forem utilizados tapiris, cabanas, choças ou palhoças, deverá ser feita antes uma inspeção minuciosa nas frestas, onde costuma agasalhar-se o “barbeiro”, transmissor da doença de Chagas.
6) As picadas dos insetos provocarão comichão e será preciso muito controle para não coçá-las, o que é aconselhável para evitar sangrar e, desse modo, dificultar a propagação dos germes.
7) É sabido, que os mosquitos atacam ao entardecer e durante a noite; mas na selva, permanentemente escura e sombria, eles atuam também durante o dia. Sendo assim, as medidas de proteção tendem naturalmente a ser relaxadas, se tiverem de ser cumpridas por espaços de tempo muito longos; primeiro, pela necessidade de grande estoque de repelentes; segundo, porque os mosquiteiros perturbam a visão e engancham na vegetação e as luvas diminuem a refrigeração das mãos, tiram o tato e gastam-se ou são extraviadas; permanecer sempre vestido, protegendo ao máximo o corpo, concorre para o aumento da sudação.
8) Todas essas nuanças conduzirão o homem na selva, ora a observar rigorosamente as medidas protetoras, ora a relaxá-las. O fato, entretanto, é que algumas delas poderão e deverão ser seguidas com prioridade como: usar mosquiteiro para dormir, estacionar em local afastado de águas paradas para passar a noite ou para proporcionar descanso prolongado durante o dia e examinar abrigos antes de ocupá-los.
9) Outras medidas de expediente poderão também ser seguidas, como untar as partes expostas do corpo (mãos, rosto e pescoço) com lama (em casos extremos), em substituição a repelentes e luvas, e acender fogueiras no interior dos abrigos; poderão, inclusive, ser adotados os processos usados pelos habitantes da área para proteção contra mosquitos como a aplicação de óleo de copaíba.
10) No caso da malária, atualmente, não se aplica mais o uso de pastilhas químicas à base de quinina, cloroquina, primaquina e merfloquina como tratamento preventivo contra a malária, devido aos efeitos colaterais para o organismo e pelo mascaramento durante o período de incubação provocado por “Plasmodiuns” de naturezas diversas, contra todos os quais nenhum dos produtos acima possui eficiência comprovada.
11) O reconhecimento do anofelino transmissor da malária poderá ser feito observando-se que ele pousa com a parte posterior bastante mais elevada que a anterior, formando com o plano de pouso um ângulo aproximado de 45º, e que em suas asas existem manchas escuras. A doença é conhecida também com os nomes de maleita, impaludismo e febre intermitente.
12) Atualmente, recomenda-se para região a vacinação antiamarílica obrigatória, contra febre amarela silvestre.

C- Generalidades sobre as doenças transmitidas por parasitos:
1) A tularemia, a febre recorrente e os vários tipos de tifo constituem um grupo de doenças transmitidas pelos piolhos, pulgas, percevejos e carrapatos.
2) Diagnosticado o mal, o tratamento caberá ao médico. Preventivamente, o que se poderá fazer, será procurar destruir esses vetores. Assim, os piolhos, que transmitem o tifo epidêmico (ou exantemático), a febre das trincheiras e a febre recorrente - e que pertencem a três espécies: piolho do corpo (principal responsável pelas doenças), piolho da cabeça e piolho do púbis (chato) - deverão ser evitados e destruídos, se for o caso, pela execução de um conjunto simples de medidas que constituem o despiolhamento. Os homens tomarão banho com sabão, freqüentemente; quando necessário, rasparão os cabelos das várias partes do corpo, além da utilização de pós inseticidas. A água para banho deverá ser misturada com querosene, gasolina ou vinagre. Pentes finos deverão ser passados na cabeça. O pó inseticida também deverá ser usado nas roupas, particularmente nas costuras e dobras. Quando não se dispuser desses materiais, o que será normal em sobrevivência, as medidas preventivas terão de se reduzir ao banho e às inspeções para a cata do piolho, quer nos homens, quer nas roupas ou equipamento.
3) As pulgas, vetores do tifo endêmico e da peste bubônica, têm por veículos o rato e outros roedores de pequeno porte, e mesmo o cão e o gato. Portanto, a primeira medida preventiva será a eliminação desses animais; se algum for considerado de estimação, deverá ser banhado freqüentemente com água e querosene em mistura e sabão; no caso dos ratos, poderão eles ser apanhados por meio de armadilhas. As outras são semelhantes as do despiolhamento.
4) Os carrapatos são responsáveis pelo chamado tifo de carrapato ou tifo exantemático de SÃO PAULO, como também se denomina o mal. Sua destruição será difícil, se não impraticável, pois eles serão encontrados em grande número de animais silvestres, tais como esquilos, coelhos, antas, gambás (mucuras), bem como nas áreas, particularmente nas trilhas, onde vivem esses animais. A vistoria da roupa e do corpo será o melhor modo de encontrar e destruir o carrapato. Caso ele já esteja encravado na pele, não deverá ser arrancado; a simples aproximação de uma ponta acesa de cigarro será suficiente, ou ainda a aplicação no local de sal úmido, iodo, limão, querosene, álcool ou gasolina. Se o ferrão se separar do corpo, permanecendo na pele, para extirpá-lo bastará que se retire com qualquer objeto pontiagudo, previamente desinfetado.
5) Os percevejos poderão existir em quaisquer lugares em que possam viver em íntima associação com o homem. Escondem-se em locais que lhes possam oferecer proteção e disfarce; alimentam-se à noite e serão capazes de sobreviver por seis meses sem alimento algum. São responsáveis por um tipo de febre recorrente. A fumigação e o uso de inseticidas líquidos, gasolina, querosene, água fervente, serão processos para destruir o parasito; à falta destes, restarão as inspeções visuais.

D- Doenças contagiosas - Muitas doenças, como as venéreas, a difteria, a gripe comum, o sarampo, a tuberculose, a pneumonia, a varíola, a rubéola e a caxumba, são contraídas pelo contato com elementos enfermos portadores destas doenças. Deve-se, por isso, ter especial cuidado nos aglomerados humanos por onde se tenha de passar em busca da sobrevivência.

E- Doenças diversas:
1) Existem, ainda, outras enfermidades encontradas na Região AMAZÔNICA, merecendo ser citadas: a lepra, a bouba, a pinta e a esquistossomose. Essa última é transmitida por caracóis (caramujos encontrados nas águas).
2) Finalmente, apesar de não ser propriamente uma doença, o tétano é resultante da contaminação de feridas e escoriações. A prevenção repousa no emprego da vacina antitetânica. Os não vacinados, portanto, deverão ter bastante cuidado com os ferimentos na pele, os quais, tão logo verificados, deverão ser desinfetados e mantidos higienicamente.


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